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Scarpari no ProPymes: trabalho integrado com a cadeia de valor para desenvolver projetos de grande escala

Publicado 12.12.2025

Na 24ª edição da ProPymes, Oscar Scarpari, CEO da Techint E&C, compartilhou sua visão sobre os próximos projetos para o país em sua palestra “Argentina em movimento: projetos que transformam” no CEC de Buenos Aires. Durante sua intervenção, ele se concentrou nos setores que marcarão o futuro econômico do país. “Há setores que já funcionam muito bem, como o agrícola; outros que continuarão avançando, como Vaca Muerta; e alguns que estamos esperando, como a mineração de metais”, destacou no início.

“Hoje, o mundo consome aproximadamente 23 milhões de toneladas de cobre e, até 2050, projeta-se um aumento de 70%. Esse aumento vem do crescimento econômico, da transição energética que se ouve menos, mas continua avançando, com boa parte da Ásia ainda puxando por motivos geopolíticos, e do desenvolvimento dos data centers que serão grandes consumidores de energia. A energia precisa de cobre, por isso, no futuro, essa tendência será ainda mais acentuada, sem que exista um substituto para o cobre”, destacou.

Scarpari comentou que a empresa trabalha há anos na cadeia de mineração de grande porte no Chile e no Peru, com múltiplas operações na cordilheira, e que participou de cerca de 80% do ecossistema desses projetos. Ele destacou, ainda, que hoje é um dos principais fornecedores de serviços de construção para o transporte de água para a mineração no norte do Chile. Segundo ele, nos próximos três ou quatro anos, ou até antes, começará a surgir uma concorrência crescente entre as demandas da grande mineração e as do petróleo e gás de Vaca Muerta.

Em seguida, ele focou na magnitude dos investimentos projetados e na necessidade da indústria nacional estar preparada para responder a essa escala. “Um ecossistema de cobre na Argentina pode exigir 30.000 toneladas de estrutura metálica. Quando solicitamos preços, nos disseram que estávamos errados, porque pensavam que eram 3.000”, relatou. Este exemplo reflete o alcance do desafio e a oportunidade que se abre para a cadeia de valor local.

Durante a palestra, o CEO destacou que a mineração metálica e não metálica, juntamente com Vaca Muerta, serão os grandes motores do desenvolvimento. “Em San Juan, Salta e Catamarca, há projetos geograficamente muito próximos daqueles que hoje produzem milhões de toneladas no Chile. Se conseguirmos atrair investimentos, teremos que maximizar nossa cadeia de valor”, afirmou. Segundo suas estimativas, o potencial de investimentos para os projetos de cobre que estão hoje mais avançados ultrapassa os US$ 20 bilhões, o que exige uma estratégia para captar trabalho e produção locais.

Em relação a Vaca Muerta, ele antecipou que a produção continuará crescendo e exigirá serviços de infraestrutura em grande escala. “Para passar de 800.000 barris para números maiores, a escala será enorme. Veremos mais projetos que conectam a bacia com o Atlântico e operações como Los Toldos II Este, que por si só implicam 2.000 toneladas de estrutura metálica”, detalhou. Se a Argentina somar dez projetos semelhantes, a necessidade será de 20.000 toneladas, mais outras 35.000 para usinas de tratamento de gás e 30.000 para uma usina de fertilizantes.

O CEO também alertou sobre os desafios operacionais que a mineração trará. Ele explicou que a mineração movimenta milhões de toneladas que precisam ser transportadas, um processo que exige uma renovação permanente de equipamentos e infraestrutura: “Um acampamento pode acomodar 25.000 pessoas, como em Quebrada Blanca, no Chile. Não existe nada semelhante na Bacia de Neuquén. Além disso, a manutenção dos caminhões é praticamente aeronáutica. Teremos que aprender e desenvolver capacidades para sustentar operações que funcionem 24 horas por dia”.

Scarpari ressaltou que a infraestrutura será fundamental: “Vamos precisar de ferrovias, rodovias, energia e redes elétricas. Se a macroeconomia se mantiver e os investimentos chegarem, é possível que Vaca Muerta alcance 1,5 milhão de barris nos próximos anos. A mineração ainda tem um desafio, mas se surgirem fábricas de fertilizantes e projetos de cobre ao mesmo tempo, devemos estar preparados”.

Nesse contexto, o apelo foi claro: “As empresas de engenharia e construção, e toda a cadeia de suprimentos, devemos trabalhar juntos para garantir a entrega dessas magnitudes físicas. Em alguns insumos, somos competitivos, eficientes e cumprimos os prazos, mas o desafio será a escala”, concluiu.

Por fim, Scarpari deixou uma mensagem otimista: “Se a Argentina somar mineração, fertilizantes e gás liquefeito, além de Vaca Muerta, o ProPymes certamente terá uma agenda radicalmente diferente. Devemos nos preparar para maximizar a captura de trabalho para todos”.

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