O boom do cobre na América Latina: qual é o maior desafio?
Publicado 28.8.2026
Com investimentos projetados de USD 138 bilhões na Argentina, Chile e Peru, a próxima onda de projetos de mineração enfrenta um novo gargalo: a capacidade de executá-los de forma eficiente. Nesse cenário, as decisões de engenharia tomadas no início podem determinar o sucesso de uma operação por décadas.
A demanda mundial por cobre continua crescendo, impulsionada pela transição energética, pela eletrificação e pelo desenvolvimento de tecnologias baseadas em inteligência artificial. Como resultado, o chamado “triângulo do cobre”, formado por Argentina, Chile e Peru, concentra uma carteira de investimentos sem precedentes para os próximos anos.
No entanto, o principal desafio já não se limita ao desenvolvimento de novos projetos ou à obtenção de financiamento. A pergunta que as empresas de mineração fazem hoje é: como executar dezenas de projetos simultaneamente sem comprometer custos, prazos ou produtividade?
Quando vários projetos avançam ao mesmo tempo, eles começam a competir pelos mesmos recursos: empresas especializadas, profissionais capacitados, equipamentos críticos e capacidade logística.
No Chile, onde grande parte dos investimentos corresponde a ampliações de minas já existentes, o foco está na gestão dessa capacidade de execução. Na Argentina, o desafio é ainda maior, já que muitos projetos partem do zero, em áreas remotas e com infraestrutura limitada, além de competirem por talentos e fornecedores com empreendimentos como Vaca Muerta.
A esse contexto soma-se outro fator. Os depósitos minerais apresentam uma menor concentração de cobre do que décadas atrás. Isso exige movimentar e processar maiores volumes de material para obter a mesma produção, tornando a eficiência do sistema de transporte cada vez mais importante.
Essa necessidade se torna ainda mais relevante à medida que os desafios técnicos da indústria aumentam. Como explica Ignacio Fernández, Managing Director Chile & Peru da TAKRAF, outra empresa do Grupo Techint: “As condições da mineração se tornam cada vez mais complexas à medida que os teores dos minérios diminuem e as reservas se encontram em maiores profundidades. Isso exige soluções integradas, eficientes e sustentáveis para continuar produzindo de forma eficaz.”
A experiência em projetos de grande escala demonstra que grande parte do desempenho futuro de uma mina é definida durante as primeiras etapas de engenharia.
Aspectos como o trajeto que o sistema de transporte do minério seguirá, a escolha das tecnologias mais eficientes do ponto de vista energético ou o planejamento antecipado de equipamentos de fabricação complexa podem ter um impacto direto sobre os custos de investimento, os prazos de execução e a eficiência operacional durante toda a vida útil do projeto.
Por isso, cada vez mais projetos incorporam, desde o início, a experiência de engenheiros, profissionais de construção, operadores e fabricantes de equipamentos, com o objetivo de antecipar riscos e otimizar o projeto antes do início da construção.
Essa abordagem faz parte da experiência da Techint E&C em alguns dos mais relevantes projetos de mineração e industriais do mundo. Entre eles estão S11D Ferro-Carajás, no Brasil, onde a empresa desenvolveu um dos maiores sistemas de transporte de minério do mundo; o terminal de importação de carvão de Petacalco, no México; o terminal de manuseio e exportação de enxofre Ruwais SHT2, nos Emirados Árabes Unidos; e o estudo de viabilidade do projeto Antamina W1 Mineral, no Peru. Apesar das particularidades de cada projeto, todos confirmam que as decisões tomadas durante as primeiras etapas de engenharia têm um impacto decisivo no desempenho do projeto ao longo de toda a sua vida útil.
Na mineração, o custo de uma decisão não termina quando a construção é concluída.
Um sistema de transporte bem projetado pode otimizar o investimento inicial e reduzir significativamente os custos operacionais durante décadas. Por outro lado, corrigir um projeto depois que a operação já está em andamento geralmente implica custos maiores e menores níveis de eficiência.
Com uma nova onda de investimentos em andamento na América Latina, a diferença entre um projeto bem-sucedido e um projeto com sobrecustos pode ser definida muito antes de o primeiro equipamento chegar ao local.
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